Línguas indígenas em extinção no Brasil e no mundo
Antropologia

Línguas indígenas em extinção no Brasil e no mundo


Matéria publicada na BBC-Brasil traz uma notícia alarmante e muito triste: o desaparecimento de línguas do mundo.

A matéria cita diversos casos extremos no Brasil, nos Estados Unidos e na Austrália. No Brasil, são os casos dos índios Ofayé-Xavante, do leste do Mato Grosso do Sul, e os Wayoró, em Rondônia. Porém há muitos outros casos extremos.

Há o caso do "índio do buraco", de Rondônia, único representante de um povo extinto. Ninguém jamais falou com ele.

Há o caso dos dois irmãos que vivem no Maranhão, na Terra Indígena Caru, que são falantes únicos de uma língua tupi distinta de todas as línguas tupi conhecidas.

E há o caso da língua ava-canoeiro, falada por cerca de 12 pessoas, seis que moram numa terra indígena no rio Tocantins e seis que moram na Ilha do Bananal, no rio Araguaia.

Assim, o problema no Brasil é muito mais grave do que saiu na matéria e merece a atenção de todos nós.

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Línguas nativas do Brasil estão 'entre as mais ameaçadas'

Línguas nativas de tribos indígenas brasileiras estão entre as mais ameaças de extinção, segundo uma classificação feita pela National Geographic Society e o Instituto Living Tongues.

Elas estão sendo substituídas pelo espanhol, o português e idiomas indígenas mais fortes na fronteira do Brasil com a Bolívia e o Paraguai, os Andes e a região do chaco, revelaram os pesquisadores.

Menos de 20 pessoas falam ofayé, e menos de 50 conseguem se expressar em guató, ambas faladas no Mato Grosso do Sul, próximo ao Paraguai e à Bolívia, para citar um exemplo.

A área é considerada de "alto risco" para línguas em risco de extinção, alertaram os pesquisadores.

Em outra área de risco ainda maior ? grau "severo" ? apenas 80 pessoas conhecem o wayoró, língua indígena falada nas proximidades do rio Guaporé, em Rondônia.

Os cientistas descreveram esta parte do globo como "uma das mais críticas" para as línguas nativas: extremamente diversa, pouco documentada e oferecendo ameaças imediatas aos idiomas indígenas.

Entre estas ameaças, estão as línguas regionais mais fortes, como o português na Amazônia brasileira, o espanhol falado na Bolívia, e o quéchua e o aymara, difundidos no norte e no sul dos Andes bolivianos, respectivamente.

Risco

O mapeamento das línguas em extinção faz parte do projeto "Enduring Voices: Documenting the Planet?s Endangered Languages" (em tradução livre, "Vozes Resistentes: Documentando as Línguas Ameaças do Planeta"), que identificou as regiões do globo onde as línguas nativas estão mais fortemente ameaçadas.

Os pesquisadores alertaram que metade das cerca de 7 mil línguas faladas hoje no mundo ? muitas nunca gravadas ? desaparecerão ainda neste século. Uma língua morre a cada 14 dias, afirmaram.

"Com a extinção de uma língua, toda uma cultura se perde. Cada vez que uma língua morre, perdemos parte do quadro geral que nosso cérebro pode desenhar", diz um texto que apresenta as conclusões do projeto.

Fora da América do Sul, os pesquisadores identificaram outras áreas de risco para as línguas nativas.

A mais severa delas, o norte da Austrália, abriga algumas das línguas mais ameaçadas do planeta. Apenas três pessoas falam magati re e yawuru, e só existe um falante de amurdag.

Em parte do Canadá e nos Estados americanos de Washington e Oregon, cada uma das cerca de 50 línguas nativas estão ameaçadas, afirmaram os cientistas. O falante mais jovem de qualquer uma delas tem pelo menos 60 anos.

No leste da Rússia, Sibéria, China e Japão, políticas oficiais forçaram os nativos em línguas minoritárias a adotar idiomas nacionais.

Já nos centro dos Estados Unidos e Novo México, as línguas nativas caíram em desuso a um ponto em que, em 2005, apenas cinco idosos podiam se comunicar em yuchi - um idioma que não guarda relação com nenhum outro no mundo.



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